Quando o líder é o motivo para a demissão – Canal RH

Quando o líder é o motivo para a demissão

Quando o líder é o motivo para a demissão

por Ana Paula Martins e Lucas Toyama

As pessoas não pedem demissão da empresa. Pedem demissão do chefe, ainda que nem todos reconheçam isso publicamente e prefiram justificar a saída por aspectos como salário ou perspectiva de carreira. “Quando o profissional pede demissão, a causa mais comum apresentada é a de ter recebido uma proposta melhor. Isso acontece porque ele não tem interesse em mudar mais nada ali, então, prefere evitar desconfortos e sair numa boa”, diz o consultor Marcelo Galvão, para quem a demissão de profissionais motivada pelos seus líderes diretos é muito mais comum do que pensam as empresas, ainda que não existam números que comprovem isso.

Questões salariais, ao contrário do que muita gente pensa, são apontadas por ele como motivador para 20% das decisões de troca de emprego. “Muitas pessoas que se demitem saem para ganhar menos porque levam em conta outros fatores. Ainda assim, é comum os gestores pensarem que eles estão saindo por causa de salário”, defende Galvão. “É evidente que dinheiro seduz, mas não é um fator crucial, diferente do próprio gestor que tem o poder de influenciar diretamente na decisão”, completa.

A experiência de Rodrigo Schuim mostra que, apesar de satisfeito com o rumo da carreira, divergências com a chefia levam os profissionais a buscarem novos desafios. “A principal razão para eu ter saído da empresa na qual atuava há seis anos foi o meu chefe”, declara ele, ex-diretor comercial de uma empresa de máquinas que experimentava franco crescimento. Na ocasião, Schuim estava satisfeito com as perspectivas profissionais, até as coisas mudarem com a chegada de um novo chefe. “Apesar de muito inteligente, faltava a ele habilidade em gestão, confiança em delegar tarefas e controle sobre seu temperamento”, relembra. Esgotadas as tentativas de entrosamento, Schuim optou por pedir demissão. “Fiquei triste por ter saído, mas tínhamos perfis muito diferentes e preferi tomar a decisão antes que criássemos um desafeto”, conta.

Para o consultor Marcelo Galvão, que recentemente lançou o livro Gestão de Desempenho – o Poder do Líder Educador com dicas para quem precisa desenvolver a equipe e alinhar comportamentos, além da chefia, outros fatores que influenciam bastante os pedidos de demissão são melhora na qualidade de vida, novos desafios e aprendizados, redução do estresse e proximidade do local de trabalho.

Ele lembra ainda que, para o empregado, o chefe personifica a empresa, e o peso dessa influência depende muito da maturidade do profissional. “Enquanto um bom gestor influencia positivamente na decisão de permanência de um profissional equilibrado e ciente de suas capacidades, um mau gestor exerce um peso significativo na decisão desse mesmo profissional em deixar a empresa”, explica.

Imediatismo e falta de meta

Problemas de relacionamento com o chefe não são os únicos motivos que levam ao desligamento de profissionais. Falhas de gestão, como a ausência de orientação e de apoio para a construção de um plano de carreira sólido, são também responsáveis pela demissão de um número considerável de profissionais, segundo Minervino Neto, representante da Dale Carnegie Training no Brasil, empresa americana focada no desenvolvimento de competências e habilidades. “Quando questionadas, as pessoas têm dificuldade em responder onde estarão daqui a três ou cinco anos. Essa falta de meta prejudica o trabalho atual, no qual, muitas vezes, exerce-se uma função que vai ajudar a desenvolver habilidades que serão úteis lá na frente”, afirma o executivo.

Minervino defende que isso seja combatido com a criação de um plano de carreira consistente, tarefa que deve ter a participação do gestor. “O primeiro passo tem que ser do líder direto porque é ele que está ali, no dia a dia. Para isso, é fundamental que ele conheça sua equipe, reconheça os valores e saiba aonde cada um quer chegar”, diz. “A partir desse conhecimento é possível traçar um plano para ajudar no desenvolvimento dos profissionais”, esclarece.

Em muitos casos, continua Minervino, não existe tolerância para aceitar situações porque falta a percepção de que o profissional será recompensado futuramente. “Claro que os motivos que levam à demissão são pessoais, mas a falta de um projeto de carreira é o principal deles”, afirma.

Marcelo Galvão lista os principais erros de gestão que desmotivam os profissionais e os levam a procurar novos desafios:

– Não dar feedback;

– Bloquear a criatividade da equipe;

– Promover um clima estressante na equipe;

– Não orientar;

– Mostrar inconsistência entre discurso e prática;

– Apresentar incompatibilidade de valores com os dos subordinados;

– Falta de ética;

– Isentar-se de problemas e se colocar no papel de vítima;

– Só pensar em resultado;

– Assédio moral, como ver com maus olhos quem sai no horário.

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Sobre danielhomemdaluz

Gerente Comercial, Consultor Comercial, Coaching, Palestrante e Corretor de imóveis.
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