Se o seu perfil no Facebook fosse um currículo, você seria contratado? – Artigos – TechTudo

Se o seu perfil no Facebook fosse um currículo, você seria contratado? – Artigos – TechTudo.

João Vitor RodriguesPara o TechTudo

LinkedIn pode ser o site de rede social para contatos profissionais e para quem busca novas oportunidades de emprego, mas é no Facebook que os recrutadores estão de olho. Esse é o resultado apresentado por uma recente pesquisa divulgada nos Estados Unidos. Facebook e Twitter são os preferidos dos recrutadores americanos.

Mas e no Brasil, será que essa situação é também uma realidade? O que os recrutadores buscam em nossos perfis? O que eles querem saber? Corremos algum risco com o que dizemos ou com as fotos em nossos álbuns? Será que alguém já foi eliminado de uma seleção porque o recrutador não gostou do que viu no perfil da pessoa?

Site Linkedin (Foto: Site Linkedin)Site LinkedIn (Foto: Reprodução)

A pesquisa americana publicada pelo site “Mashable”, no início do mês de outubro, mostra o Facebook como ferramenta usada por mais de 50% dos recrutadores entrevistados naquele país. Ao mesmo tempo, o Twitter ganhou alguns pontos na preferência, chegando a até 34%, um crescimento de quase 10% em relação ao ano passado. Já o LinkedIn, caiu de 38%, um ano atrás, para 30% esse ano.

No Brasil, o LinkedIn vem demonstrando enorme crescimento e hoje tem mais de 10 milhões de usuários cadastrados. Mas ele ainda não é tão carismático e conhecido quanto o Facebook. E uma das razões é que o LinkedIn chegou aqui primeiro em Inglês, além do fato de que não era uma plataforma muito simples e amigável para a finalidade a que se destina. Somente há pouco tempo, usuários e empresas começaram a perceber o potencial da rede para conexões profissionais e recrutamentos.

Mas se o Brasil repetir a situação americana com os recrutadores, o que eles devem estar buscando em nossos perfis? Eles querem mais, querem mais do que os dados que você colocou no currículo: informações frias, frases prontas, datas, referências, cursos e habilidades. No Facebook, um recrutador pode perceber suas preferências pelas páginas que você curtiu, pode saber os lugares que você frequenta pelos “check-ins” que você dá a todo instante, pode ver as cidades que você visitou, os seus amigos e a sua família através das fotos e, claro, ele quer saber o que você diz na rede, quais são as suas opiniões, sobre o que você costuma falar e interagir com seus amigos no site. E talvez seja essa a parte mais delicada dos resultados que encontrarão na busca que podem fazer em nossos perfis.

Mas será que eu poderia ser eliminado de um processo seletivo em uma empresa porque o recrutador não gostou dos meus amigos? Ou das páginas que eu curti? Ou dos lugares que visitei? Não, obviamente que não. Mas o que você faz junto com os seus amigos, talvez. Ele também pode deduzir que você tem uma opinião contrária ao que ele julga ser a cultura da empresa contratante por conta das páginas que você curte. Tudo isso pode parecer exagero ou, em alguns casos, soar como preconceito, mas somos nós mesmos que alimentamos a possibilidade de eles nos espionarem, somos nós que compartilhamos essas informações. O que os recrutadores vão fazer com ela? Só eles sabem. E como você poderia saber que foi um texto, uma opinião ou uma foto no perfil que tirou você da seleção? Eles não vão contar para você.

Imagine a situação: você está participando de um processo seletivo para uma vaga em uma empresa de telecomunicações, uma dessas operadoras dos nossos celulares, por exemplo. A vaga é na operadora da qual você é cliente. Depois de analisar seu currículo, o recrutador parte para a Internet e joga seu nome no Google. A primeira coisa que ele vê é seu perfil no Facebook. Claro, ele não vai perder a oportunidade de dar uma espiadinha. Lendo suas publicações, ele descobre que você costuma falar mal da sua operadora de celular, aquela na qual você está concorrendo a uma vaga. E agora? Se ele eliminar você do processo, qual seria a justificativa? Seria prudente e inteligente da parte dele convidar você para, na próxima etapa da seleção, a entrevista, questioná-lo sobre as razões pelas quais você publicou coisas negativas a respeito da operadora em um site de rede social? Bem, mas se o perfil é seu, você tem direito a liberdade de expressão, não gosta mesmo do serviço e quer mostrar para os seus amigos que não recomenda a operadora. Qual o problema em dizer o que pensa, em colocar suas opiniões sobre um produto do qual você também é cliente? Sim, o mundo ideal seria que ele o convidasse e que vocês se entendessem colocando seu ponto de vista e, quem sabe, até sendo contratado porque você é uma pessoa de personalidade, atitude e diz o que pensa.

Agora, imagine que você é um estudante de Jornalismo e está concorrendo a uma vaga de estágio no maior jornal da sua cidade. O recrutador dessa vaga vai ter a mesma atitude que o do exemplo anterior e encontrar seu perfil no Facebook também. Mas além do perfil nesse site de rede social, você tem um blog atualizado com frequência onde costuma fazer comentários pertinentes sobre atualidades. E no seu perfil no Facebook você sempre faz uma chamada para seus novos textos no blog. O que pensará esse recrutador que busca um estagiário de Jornalismo?

Facebook ajuda recrutadores em seleção de candidatosFacebook ajuda recrutadores em seleção de candidatos (Foto: Reprodução)

A questão aqui não é o que está certo ou errado publicar, nem se você deve somente falar bem de tudo e nunca criticar, ou ainda restringir-se. Tampouco estou falando apenas de preconceito, opiniões superficiais ou erros e acertos dos recrutadores. Assim como eles, qualquer pessoa, mesmo não sendo um recrutador, pode tirar conclusões precipitadas sobre nós a partir do que vê em nossos perfis em sites de redes sociais e na Internet. Partindo do resultado da pesquisa americana que citei no início, será que os recrutadores brasileiros usariam da melhor maneira as conclusões tiradas a partir daquilo que somos ou parecemos ser na Internet? Seria justo ser julgado pelo que dizemos em espaços como esses? Mas e nós, o que nós temos compartilhado? O que esse conteúdo diz sobre nós?

De alguma forma, tudo que publicamos, nossas opiniões, nossas fotos, os lugares, as páginas, os eventos, todos eles formam um conjunto do que somos dentro e fora da Internet. Por isso, pode haver tanto interesse das empresas que estão contratando em usar essas ferramentas, como os sites de redes sociais para saber com antecedência um pouco mais sobre os candidatos. Por um lado, ganham tempo, podendo selecionar melhor para as próximas etapas aqueles que julgam dentro do perfil das vagas. Por outro, esse peso parece nos jogar uma obrigação para estarmos sempre atentos a tudo que fazemos e dizemos na Internet, já que podemos estar sendo analisados.

Esse é um caminho sem volta. Todos, ou quase todos, estamos de alguma forma na Internet. Dentro ou fora das redes sociais, em blogs, vídeos, fotos de amigos, enfim, em todo lugar na rede pode existir um pedaço de nós. Você sabe por onde estão espalhadas suas partes e o que elas dizem sobre você? Se elas estão por aí, podem ser vistas, acessadas, comentadas e compartilhadas por todas as pessoas, sejam recrutadores ou amigos de amigos e conhecidos. O fato de um recrutador fazer esse tipo de busca na Internet nos dias de hoje é somente consequência do risco que assumimos quando começamos a criar nossas identidades online. Trocamos as facilidades de vermos e sermos vistos na grande rede mundial de computadores por riscos às vezes até desconhecidos. Mas é esse o jogo, você deve escolher de que forma vai jogar.

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Sobre danielhomemdaluz

Gerente Comercial, Consultor Comercial, Coaching, Palestrante e Corretor de imóveis.
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